Bora bater um papo…

Desde minha primeira formação na área da massoterapia em 2003 me deparo com uma série de informações que chegam e um determinado momento num buraco negro.

Ouvia bastantes explicações sobre quebra de gordura (lipólise) e sempre estas paravam num certo ponto, “Nós faremos o procedimento e essa gordura será quebrada”.

Certo, mas e depois? A resposta sempre era muito vazia ou inventiva, como; sai pela urina, fezes, suor, respiração, transpiração e por aí vai.
Hoje graças a minha curiosidade, tempo investido em pesquisas em níveis mais profundos e bons mestres que tive a felicidade de encontrar pelo caminho, sei o que acontece com essa gordura quando nós a liberamos na corrente sanguínea do paciente, NADA.

Se este indivíduo não metabolizar (por meio de gasto calórico) essa gordura, ela simplesmente retornará para os depósitos. Mas não é bem esse o tema da postagem..rs

Então a proposta é falar um pouco (de forma bem simplista) sobre a junção de Técnicas de Massagem Estimulantes (Massagem Modeladora, Redutora, Giraya, Jaspion e Changeman) com Drenagem Linfática Manual.

Vamos nessa?!

Algumas considerações sobre movimento de fluidos transcapilares…

Além da troca de gases, nutrientes e subprodutos, há um movimento constante de fluidos através das paredes dos capilares causado pela regulação entre as pressões oncóticas, osmóticas e intravasculares na porção final do capilar arterial. A pressão intravascular é alta (~30mmHg) em relação a pressão do fluido no espaço intersticial (~0mmHg) sendo maior que a pressão coloidosmótica exercida pela proteína do plasma.

Esse gradiente de pressão causa a saída do fluido capilar para o espaço intersticial (filtração) que é o que ocorre como respostas aos procedimentos estimulantes, como por exemplo, a massagem estética com ativos vasodilatadores e o calor da manta térmica.

A elevação da temperatura provoca aumento acentuado da frequência cardíaca, e como resposta a esse estímulo a força contrátil do coração é aumentada temporariamente. Essas alterações metabólicas disparam a reação fisiológica do nervo simpático, estimulando a produção de noradrenalina, e esta ao se ligar aos receptores ?1 das arteríolas, fazem com que exista uma tendência ao aumento de pressão arterial.

Assim, a estimulação simpática pode elevar o débito cardíaco de duas a três vezes, aumentando o acúmulo de fluido no espaço intersticial pela ultrafiltração. A partir do momento em que a capacidade dos vasos linfáticos de retornar o líquido em excesso para a circulação sanguínea é ultrapassada, teremos o desenvolvimento de variados níveis de edema.

Uma das principais funções do sistema linfático é devolver o excesso de fluido nos tecidos para o compartimento intravascular central. Os vasos linfáticos realizam essa tarefa coletando fluidos que foram filtrados, mas não reabsorvidos no nível capilar, devolvendo-os a circulação central (confluências subclávias).

Porém quando não há equilíbrio entre filtração e reabsorção ocorre a formação de edema, e as condições que levam a isso incluem hipertensão venosa (que limita a reabsorção por aumentar a pressão intravascular no fim do capilar venoso) bloqueio mesmo que temporário dos vasos linfáticos como as pressões externas, diminuição da concentração das proteínas do plasma e aumento da permeabilidade na parede capilar.

Chegamos então à Drenagem Linfática Manual; técnica clínica que tem grande eficácia no auxílio ao organismo na tarefa de reabsorção de líquidos intersticiais residuais em situações de acúmulos suprafisiológicos nos interstícios.

Poderíamos até atribuir à Drenagem Linfática Manual a propriedade de diminuição da pressão arterial como sendo esta uma estimuladora das atividades parassimpáticas de forte influencia nesta diminuição por meio de liberação de acetilcolina. Mas levando em consideração toda a sistemática de estimulação promovida pela ação simpática (desencadeada pela estimulação induzida pelos protocolos que visam aceleração de circulação sanguínea, e até mesmo hiperemia) que tem um poder muito superior sobre as arteríolas, o aumento substancial da pressão hidrostática capilar e a diferença entre as pressões intravascular e intersticial, é fisiologicamente nula essa hipótese, em se tratando de uma mesma sessão de atendimento.

Conclui-se assim que, ou você realiza um protocolo que gere resultados estimulantes a partir da cascata de eventos fisiológicos relacionados a ação simpática (Massagem Estética), ou você realiza um protocolo que gere resultados “sedantes” a partir dos eventos fisiológicos relacionados a ação parassimpática (Drenagem Linfática Manual).

Ps. Preferencialmente compartilhe o texto, mas NÃO COPIE. Mesmo citando a fonte, textos fragmentados levam a interpretações dúbias.

Referências:
GUYTON, A. C. ; HALL, J. E. Tratado de fisiologia médica. ed. São Paulo: Saunders Elsevier, 2006. cap. 21 – 25, p. 287-312
ZATZ, Roberto. Fisiopatologia renal. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2000. cap.9, p.151-172.
SKORECKI, K, AUSIELLO, D. Disorders of sodium and water homeostasis. In Cecil Medicine. 23 ed. Philadelphia. Saunders 2008, p. 820 – 838.
KUMAR, C. Patologia Estrutural e Funcional. 2 ed p. 230 – 238.

Prof. Ricco Porto